O narcotraficante Gerson Palermo, condenado a 126 anos de cadeia e apontado como um dos chefes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), foi preso nesta terça-feira (26) na Bolívia. Ele estava foragido desde 22 de abril de 2020 após obter habeas corpus concedido pelo ex-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, desembargador Divoncir Schreiner Maran.
De acordo com o blog do Fausto Macedo, do jornal O Estado de São Paulo, o criminoso foi preso pela Fuerza Especial de Lucha contra el Narcotráfico da Bolívia, na região de Santa Cruz de la Sierra, em uma ação conjunta com a Polícia Federal brasileira.
Apontado como de alta periculosidade, condenado até pelo sequestro de avião nos anos 2000, ele obteve habeas corpus concedido por Maran. O desembargador suprimiu instâncias, não exigiu exame médico e chegou a determinar a soltura do bandido mesmo antes do HC ser protocolado no TJMS.
Conforme investigação da PF, o desembargador orientou a assessoria a conceder o HC antes do documento ser protocolado e teria lido 208 páginas em uma noite. O Conselho Nacional de Justiça concluiu que o magistrado não deveria ter concedido a prisão domiciliar para Palermo.
O criminoso deixou o presídio de segurança máxima e foi para casa. Ele rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu em abril de 2020. O desembargador Jonas Hass Silva Júnior chegou a revogar o benefício e decretar a prisão preventiva do chefão do PCC, mas ele já estava foragido.
De acordo com a CNN, a Polícia Federal concluiu ontem o inquérito contra o desembargador pela fuga do narcotraficante. Maran foi punido pelo CNJ com a aposentadoria compulsória. Ele se aposentou em 2024 por idade.
Com a condenação do CNJ, ele pode ser alvo de ações criminais e cível e perder a aposentadoria como magistrado.
cnn
